Tecnologias

Qualidade Tecnológica

A qualidade tecnológica é um fator decisivo na comercialização de trigo e é determinada por fatores genéticos e ambientais. Um dos testes para avaliar as características qualitativas da farinha é a alveografia.

Os principais parâmetros avaliados pela alveografia são a força de glúten (W), a tenacidade (P) e a extensibilidade (L). Considera-se adequada para a fabricação de pão francês (Tipo Pão) uma farinha que apresente W em torno de 250 e P/L entre 0,6 e 1,2.

Valores de W abaixo de 220 e P/L abaixo de 0,6 caracterizam um trigo do Tipo Brando, com a farinha servindo para a fabricação de bolachas e biscoitos. Valores de W acima de 300 caracterizam um trigo do Tipo Melhorador, muito utilizado para fazer mesclas e na fabricação de massas.

Os valores de W e de P/L, apresentados neste documento, são médias de amostras coletadas em vários anos de ensaios, conduzidos nos Estados de Santa Catarina, do Paraná, do Mato Grosso do Sul e de São Paulo, analisados nos laboratórios de qualidade industrial da Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS) e do Iapar (Londrina, PR).
 

Regiões de Adaptação

 As regiões de adaptação de 1 a 4 correspondem aos Grupos de Municípios para indicação de cultivares do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, segundo instruções normativas N° 58 de 19/11/2008 e podem ser observadas nas Figuras 1 a 5.

 

Figura 1. Regiões de adaptação para determinação de valor de cultivo e uso (VCU) do trigo e do triticale em Santa Catarina.
 

Figura 2. Regiões de adaptação para determinação de VCU do trigo e do triticale no Paraná.


Figura 3. Regiões de adaptação para determinação de VCU do trigo e do triticale no Mato Grosso do Sul.

 

          

Figura 4. Regiões de adaptação para determinação de VCU do trigo e do triticale em São Paulo.
 

Figura 5. Regiões de adaptação para determinação de VCU do trigo e do triticale nos Estados de MS, de SP, do PR e de SC.
 

Semeadura

Época 

A época de semeadura do trigo e do triticale é indicada de acordo com zonas homogêneas, a fim de obter maiores rendimentos. Os períodos indicados para semeadura podem ser consultados na publicação “Informações Técnicas para Trigo e Triticale - Safra 2015” – VIII Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale – Embrapa Trigo (2014).

Nas áreas de transição entre regiões de adaptação, é importante que um Engenheiro Agrônomo seja consultado para definir qual a melhor época. É aconselhável realizar a semeadura de modo escalonado, dentro do período indicado, visando reduzir a probabilidade de perdas, principalmente as provocadas por geada.


Profundidade

A profundidade de semeadura deve ser de 2 cm a 5 cm.


Espaçamento

O espaçamento indicado é de 17 cm a 20 cm entre as linhas.


Densidade

 As densidades variam de 250 a 350 sementes viáveis por metro quadrado, em função da resistência ao acamamento, do rendimento de grãos, dos tipos de solo e das épocas de semeadura.

A quantidade necessária de sementes é determinada através das seguintes fórmulas:

Nº de sementes/m linear = número de sementes/m2 x espaçamento (cm)

                                                       poder germinativo (%)

kg/ha = número de sementes/m2 x peso de mil sementes (g)

                                poder germinativo (%)

sc/ha = número de sementes/m2 x peso de mil sementes (g) x 0,02

                                           poder germinativo (%)

Na Tabela 1 são indicadas as necessidades aproximadas de sementes, em quilos por hectare, em função do peso médio de mil sementes (PMS) e do poder germinativo (PG), calculadas para a densidade de 300 sementes por metro quadrado.

Tabela 1. Necessidade aproximada de sementes de trigo e de triticale, em kg ha-1 para a densidade de 300 sementes por metro quadrado.


 

Na Tabela 2 são indicadas as densidades de semeadura por cultivar.

Tabela 2. Densidade de semeadura das cultivares de trigo e triticale da Embrapa e do Iapar, para espaçamento entre as linhas de 17 cm.

Plantas emergidas por metro quadrado

A quantidade de sementes viáveis, dependendo das condições ambientais, nem sempre proporcionam a mesma quantidade de plantas emergidas, mas o ideal é que esse número seja alcançado.

 

Adubação Nitrogenada

Para as cultivares de trigo da Embrapa, a adubação nitrogenada de cobertura deve ser feita logo após a emergência, quando as plantas apresentarem de duas a quatro folhas e em condições favoráveis de disponibilidade de água.

Para definir as doses de nitrogênio (N) a serem utilizadas, consultar a Tabela 3, levando em consideração as características de cada cultivar.

Tabela 3. Indicação de doses de nitrogênio (N) para a adubação na cultura do trigo no Estado do Paraná.

Fonte: Informações Técnicas para Trigo e Triticale - Safra 2015 – VIII Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale – Embrapa Trigo (2014)
 

Rendimento

As informações de rendimento de grãos das cultivares apresentadas foram obtidas em experimentos conduzidos em estações experimentais ou em áreas uniformes previamente selecionadas nos Estados do Paraná, de Santa Catarina, de São Paulo e do Mato Grosso do Sul.


Reação a Doenças

Para todas as doenças mencionadas, o comportamento das cultivares pode ser alterado no decorrer do tempo, inclusive com a perda de resistência em razão da possível variabilidade dos respectivos patógenos (raças fisiológicas). Na Tabela 4 é indicada a reação a doenças, por cultivar.

Tabela 4. Cultivares de trigo e triticale e sua reação a doenças.


 

Observações

Informações mais detalhadas podem ser obtidas na publicação “Informações Técnicas para Trigo e Triticale - Safra 2015” – VIII Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale – Embrapa Trigo (2014).

Algumas características agronômicas podem apresentar variação com o ano, a região, o nível de fertilidade do solo e a época de semeadura.

Consulte sempre um Engenheiro Agrônomo.


Fonte: Livreto sobre Cultivares de Trigo e Triticale - Embrapa e Iapar (Março/2016)